Há orações que parecem receber resposta imediatamente.
E há outras que atravessam semanas.
Meses.
Anos.
Pedimos cura.
A enfermidade continua.
Pedimos reconciliação.
A distância permanece.
Pedimos direção.
Tudo continua nebuloso.
E então nasce uma pergunta:
“Deus está me ouvindo?”
A Bíblia conhece essa pergunta.
O Salmo 13 começa:
“Até quando?”
Jó perguntou.
Habacuque perguntou.
Jeremias chorou.
Até Jesus, na cruz, utilizou a linguagem angustiada do Salmo 22.
Portanto, sentir ausência não significa ausência de fé.
Silêncio percebido não é abandono
Uma criança pode não compreender por que o pai diz:
“Espere.”
Sua percepção é limitada.
Assim também nós.
Isso não significa usar “Deus sabe” para encerrar friamente a dor de alguém.
Significa reconhecer humildemente que não possuímos toda a perspectiva.
Ellen White descreve oração em Caminho a Cristo como abertura do coração a Deus como a um amigo.
Amigos verdadeiros não conversam utilizando apenas frases prontas.
Você pode dizer a Deus:
“Eu não entendo.”
“Estou cansado.”
“Estou decepcionado.”
“Tenho medo.”
Isso também é oração.
Getsêmani
Jesus pediu:
“Se possível, passe de Mim este cálice.”
O Filho de Deus expressou um desejo.
Mas acrescentou:
“Não seja como Eu quero, e sim como Tu queres.”
Essa talvez seja uma das orações mais maduras possíveis.
Não é:
“Deus, não tenho vontade.”
É:
“Tenho vontade, mas confio mais em Ti do que nela.”
Às vezes Deus muda a circunstância
E às vezes muda nossa capacidade de atravessá-la.
Paulo pediu que seu “espinho” fosse removido.
A resposta não foi exatamente aquilo que pediu.
Foi:
“Minha graça te basta.”
Não romantize sofrimento.
Se existe tratamento, procure.
Se existe abuso, busque proteção.
Se existe uma conversa necessária, tenha.
Fé não é passividade.
Mas existem dores que não desaparecem imediatamente.
Enquanto espera
Continue orando.
Continue na Palavra.
Continue próximo de pessoas maduras.
Continue fazendo aquilo que você já sabe que é certo.
Talvez você ainda não saiba qual será sua profissão daqui a cinco anos.
Mas sabe que hoje deve viver com honestidade.
Talvez não saiba como determinado problema terminará.
Mas sabe que hoje pode amar.
O sábado silencioso
Existe um período fascinante entre a cruz e a ressurreição.
Sábado.
Os discípulos provavelmente pensavam que tudo havia terminado.
Jesus estava no túmulo.
O céu parecia silencioso.
Mas o domingo estava chegando.
Às vezes vivemos nosso próprio sábado entre promessa e cumprimento.
Ainda não vemos o domingo.
Mas ele existe.
Nem toda pergunta será respondida agora
O cristianismo não promete compreender cada “por quê”.
Promete algo talvez ainda maior:
presença.
Apocalipse 21 não oferece uma explicação individual para cada lágrima.
Mostra Deus enxugando-as.
Talvez um dia compreendamos coisas que hoje não conseguimos compreender.
Até lá, a fé pode dizer:
“Eu não entendo o caminho. Mas ainda conheço o caráter de Jesus.”
E em dias difíceis, isso é suficiente para dar mais um passo.