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O Cordeiro que Tira o Pecado | Sermões OneVoice 27
O Cordeiro que Tira o Pecado
Jesus é o Cordeiro provido por Deus. Quem O contempla aprende a permanecer com Ele e a conduzir outros até Ele.
Introdução Quando o deserto termina junto ao Jordão
No primeiro sermão desta série, o céu se abriu sobre Jesus no Jordão. O Pai declarou: "Este é o Meu Filho amado." No segundo sermão, o cenário mudou. Jesus entrou no deserto, enfrentou o tentador e permaneceu fiel onde a humanidade havia caído.
Agora João nos leva novamente para perto do Jordão. O deserto ficou para trás, mas suas marcas ainda pertencem à história. Jesus não retorna com um exército. Não chega cercado por aplausos. Ele simplesmente vem caminhando. João Batista O vê aproximar-Se e pronuncia uma frase curta o bastante para ser memorizada por uma criança, mas profunda o bastante para explicar toda a Bíblia:
"Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo."
João 1:29
João poderia ter dito muitas coisas verdadeiras. Poderia ter anunciado: "Eis o Rei." Poderia ter dito: "Eis o Messias", "Eis o Filho de Deus" ou "Eis Aquele que venceu o tentador". Ele usará alguns desses títulos no mesmo capítulo. Contudo, quando Jesus aparece diante da multidão, a primeira imagem que João entrega é a de um cordeiro.
Isso deve ter causado estranheza. Um rei inspira força. Um guerreiro impõe respeito. Um cordeiro parece vulnerável. Não ameaça. Não domina. Não chega para ferir, mas para ser entregue. João apresenta a vitória de Deus por meio de um sacrifício.
O mundo costuma lidar com o mal procurando alguém para culpar, esconder, expulsar ou destruir. Deus responde ao mal oferecendo-Se em Cristo. O pecado produziu uma dívida que não conseguimos pagar e uma escravidão da qual não conseguimos sair sozinhos. O Cordeiro entra nessa história, toma sobre Si o que era nosso e nos oferece o que pertence a Ele.
Talvez alguém tenha chegado hoje carregando uma lembrança que ninguém conhece. Talvez exista uma decisão que você tenta compensar com muito trabalho religioso. Talvez você creia no perdão para os outros, mas ainda pense que o seu caso ficou do lado de fora da graça. A primeira ordem desta mensagem não é "faça". É "eis". Antes de correr, contemple. Antes de prometer, olhe. Antes de tentar consertar a própria vida, veja o que Deus providenciou.
1 Uma frase que contém a Bíblia inteira
João Batista não inventou a imagem do cordeiro. Ao pronunciá-la, ele reuniu histórias, promessas e cerimônias que atravessavam as Escrituras. Era como se vários caminhos do Antigo Testamento chegassem à mesma margem do Jordão.
Em Gênesis 22, Isaque caminhava com Abraão em direção ao monte. Ele percebeu a lenha e o fogo, mas perguntou: "Onde está o cordeiro para o holocausto?" Abraão respondeu: "Deus proverá para Si o cordeiro." Naquela ocasião, Deus preservou a vida de Isaque e proveu um carneiro. A pergunta, porém, continuou ecoando pela história. Onde está o Cordeiro que Deus proverá para a humanidade?
Em Êxodo 12, cada família de Israel deveria separar um cordeiro sem defeito. Na noite da Páscoa, a vida do cordeiro ficaria entre a família e o juízo. O sangue na porta não era um prêmio pela superioridade moral de quem estava dentro. Era um sinal de confiança na provisão de Deus. A mesma casa que recebia proteção também recebia uma ordem de partida. O sangue não os libertava para permanecer no Egito. Libertava-os para sair.
No santuário, cada sacrifício ensinava uma verdade severa e misericordiosa: o pecado produz morte, mas Deus abre um caminho de perdão por meio de um substituto. Nenhum animal possuía poder próprio para apagar a culpa humana. Os sacrifícios eram sinais. Apontavam além de si mesmos para uma vida perfeita que seria voluntariamente entregue.
Isaías 53 torna a imagem ainda mais clara. O Servo do Senhor carrega nossas dores, é ferido por nossas transgressões e, como cordeiro levado ao matadouro, não usa Seu poder para escapar da missão. Séculos antes do Jordão, a profecia já unia Cordeiro, substituição e perdão.
Então Jesus aparece. João não diz: "Talvez este seja o cordeiro." Ele aponta e afirma: "Eis." A pergunta de Isaque encontra resposta. A Páscoa encontra cumprimento. O altar encontra seu verdadeiro significado. A profecia de Isaías recebe um rosto.
Uma frase de Ellen G. White ajuda a manter o centro no lugar. Ela ensina que o sacrifício de Cristo como expiação pelo pecado é a grande verdade em torno da qual todas as outras verdades se agrupam. Isso não reduz a Bíblia a um único verso. Significa que cada doutrina revela sua beleza quando recebe a luz da cruz.
Criação mostra o valor da vida que o Cordeiro veio resgatar. A lei mostra a santidade do caráter que Ele viveu e a gravidade da rebelião que carregou. O sábado anuncia descanso em uma obra que não produzimos. O santuário explica a morte e o ministério do Salvador. O juízo revela que Deus enfrenta o mal com verdade e justiça. A segunda vinda anuncia que o Cordeiro voltará como Rei. Tudo se mantém unido em Cristo.
Se uma doutrina nos torna frios, orgulhosos ou cruéis, nós ainda não a contemplamos à luz do Cordeiro. A verdade bíblica não foi dada para aumentar nossa distância de pessoas feridas. Ela deve aprofundar nossa reverência por Deus e tornar nossa vida mais parecida com Jesus.
2 O Cordeiro de Deus
João não disse apenas "o Cordeiro". Disse "o Cordeiro de Deus". A salvação começa na iniciativa divina.
Muitas religiões nascem da pergunta: o que podemos oferecer para acalmar a divindade? O evangelho anuncia o movimento contrário. Deus oferece. Deus provê. Deus vem ao nosso encontro. Não fomos nós que convencemos um Pai relutante a nos amar. O Pai e o Filho agiram em perfeita unidade para nos salvar.
João 3:16 dirá que Deus amou o mundo e deu Seu Filho. Segunda Coríntios 5 ensina que Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo. A cruz não coloca um Filho amoroso contra um Pai severo. Na cruz, o Deus triúno revela até onde Seu amor santo está disposto a ir para resgatar Seus filhos.
Isso muda a maneira como chegamos a Deus. Há pessoas que oram como se precisassem vencer uma resistência no coração do Pai. Pensam: "Talvez, se eu chorar o bastante, prometer o bastante ou sofrer o bastante, Deus aceite me receber." O Cordeiro de Deus encerra essa negociação. A provisão não nasceu da intensidade de nossa súplica. Nasceu do caráter de Deus.
O arrependimento continua necessário. A confissão continua necessária. A obediência continua sendo fruto real da graça. Mas nada disso compra o Cordeiro. Nós nos arrependemos porque Sua bondade nos chama. Confessamos porque Sua luz expõe e Sua misericórdia acolhe. Obedecemos porque fomos alcançados por um amor que começa a reorganizar a vida.
Você não precisa convencer Deus a ser gracioso. Em Cristo, Deus já veio procurá-lo. O convite do evangelho é parar de fugir e permitir que a graça diga a verdade sobre seu pecado sem destruir sua esperança.
3 O Cordeiro que tira o pecado do mundo
A declaração de João mantém juntas duas verdades que nós costumamos separar. O pecado é grave, e a graça é maior.
O Cordeiro não veio apenas aliviar sentimentos de culpa. Veio tratar o pecado. Na Bíblia, pecado não é somente um erro de cálculo. É rebelião contra o governo de amor de Deus. Rompe comunhão, deforma desejos, fere pessoas e produz morte. Às vezes ele aparece em atos visíveis. Em outras ocasiões, esconde-se sob respeitabilidade religiosa, orgulho, indiferença ou falta de perdão.
Quando João diz que o Cordeiro tira o pecado, não está dizendo que Jesus finge não enxergar. Cristo leva o pecado a sério a ponto de carregá-lo. Isaías afirma que o Senhor fez cair sobre Ele a iniquidade de nós todos. Pedro escreve que Cristo levou em Seu corpo os nossos pecados sobre o madeiro. Paulo declara que Aquele que não conheceu pecado foi feito pecado por nós, para que nEle nos tornássemos justiça de Deus.
Na cruz, Jesus assumiu nossa culpa e recebeu a consequência da rebelião humana. Seu sacrifício é substitutivo: Ele ocupa nosso lugar. É expiatório: trata a culpa que nos separava de Deus. É reconciliador: restaura a comunhão rompida. E é transformador: o amor revelado no Calvário começa a libertar o coração do domínio do ego.
Essa obra alcança o pecado em três dimensões. Em Cristo, a culpa pode ser perdoada agora. Em comunhão com Cristo, o poder do pecado começa a ser quebrado na vida diária. Quando Cristo voltar e fizer novas todas as coisas, a presença do pecado será removida para sempre.
Precisamos manter essa ordem. O perdão não espera até que você consiga vencer sozinho. Se esperasse, ninguém seria perdoado. Você vem como está, confessa com honestidade e recebe a justiça de Cristo. Então a mesma graça que perdoa começa a ensinar uma nova maneira de viver.
Alguns tentam inverter o processo. Primeiro querem limpar tudo; depois pretendem aproximar-se. É como alguém coberto de lama que se recusa a entrar no banho até estar limpo. O Cordeiro não chama pessoas que já resolveram o pecado. Chama pecadores para que encontrem nEle perdão, cura e poder.
João acrescenta: "do mundo". O alcance da provisão é maior que qualquer fronteira. Não existe povo fora do interesse de Deus, classe social que a cruz considere indigna ou passado que surpreenda o Salvador. A morte de Cristo é suficiente para todos, e seus benefícios são recebidos pela fé.
Isso impede dois erros. O primeiro é o desespero, como se nosso pecado fosse maior que o Cordeiro. O segundo é a presunção, como se a provisão pudesse ser admirada sem ser recebida. Uma mesa pode estar preparada para todos, mas ainda é preciso aceitar o convite. João não pede que a multidão apenas analise Jesus. Pede que olhe para Ele com fé.
4 A cruz revela o caráter de Deus
O grande conflito começou com uma acusação sobre o caráter de Deus. O inimigo insinuou que o governo divino era injusto, que a lei restringia a liberdade e que a criatura viveria melhor afastada do Criador. Desde o Éden, pecado e mentira caminham juntos.
No Calvário, essas acusações encontram sua resposta mais clara. Satanás mostra o que seu reino faz com a inocência: trai, humilha, tortura e mata. Deus mostra como Seu reino responde ao mal: Cristo entrega a própria vida, pede perdão pelos agressores e recusa salvar-Se abandonando aqueles que veio buscar.
A cruz demonstra que a lei de Deus não é uma regra arbitrária. O pecado realmente produz morte. Se Deus simplesmente declarasse que o mal não importa, deixaria as vítimas sem justiça e o universo sem verdade. Ao mesmo tempo, a cruz demonstra que Deus não observa nossa condenação à distância. Em Seu Filho, Ele assume o custo da reconciliação.
Justiça e misericórdia não brigam no Calvário. Encontram-se. O pecado é condenado, e o pecador pode ser perdoado. A verdade é preservada, e o culpado recebe um caminho de volta. Deus não salva por negar Seu caráter. Salva por revelá-lo plenamente.
Por isso Apocalipse 5 coloca o Cordeiro no centro do trono. João ouve falar de um Leão, mas quando olha vê um Cordeiro como tendo sido morto. O poder de Deus não se parece com a força coercitiva dos impérios. O Cordeiro vence por amor fiel, verdade e sacrifício.
Quando a igreja esquece isso, pode defender verdades de maneira contrária ao caráter de quem as deu. É possível falar de profecia e alimentar medo. É possível falar de lei sem demonstrar amor. É possível anunciar o juízo como se tivéssemos prazer na condenação. O Cordeiro corrige nossa voz. A mensagem final de Deus é firme porque o mal precisa terminar, mas é urgente e compassiva porque Deus deseja salvar.
O evangelho eterno de Apocalipse 14 deve soar como notícia do Cordeiro. O Criador que chamamos o mundo a adorar é Aquele que entrou na criação e deu a vida por ela. O Juiz diante de quem todos comparecem é também o Advogado que abriu o próprio lado por nós. A profecia não desloca Jesus. Ela mostra a dimensão cósmica de Sua obra.
5 O Cordeiro morto está vivo
João Batista aponta para um sacrifício futuro. Nós olhamos para uma cruz que já aconteceu. Contudo, nossa esperança não termina em uma sepultura.
O Cordeiro de Apocalipse está em pé. Ele traz as marcas do sacrifício, mas está vivo. A ressurreição declara que o Pai aceitou a obra do Filho, que a morte foi vencida e que o reino do mal não receberá a última palavra.
Hebreus amplia essa esperança. Cristo entrou no santuário celestial não com sangue de animais, mas com o valor de Sua própria vida entregue uma vez por todas. Seu sacrifício não precisa ser repetido. Na presença do Pai, Ele ministra em nosso favor e torna disponíveis os benefícios da cruz.
Isso significa que a salvação não é apenas a memória de algo que Jesus fez no passado. É também uma relação com o Salvador vivo. Ele intercede. Ele envia o Espírito. Ele sustenta quem é tentado. Ele limpa a consciência. Ele conduz Seu povo no tempo presente.
A doutrina do santuário não deve transformar o cristão em alguém que teme aproximar-se. Hebreus chega à conclusão oposta: por causa do sangue de Jesus, temos confiança para entrar na presença de Deus. Nosso Sumo Sacerdote não procura um motivo para nos manter do lado de fora. Ele abriu um novo e vivo caminho.
O juízo também precisa ser visto a partir do Cordeiro. Para quem está em Cristo, o juízo não é a tentativa de convencer Deus a amar. É a revelação pública de que a graça transformou pecadores e de que Deus é justo ao salvar quem confiou em Jesus. A segurança não está na perfeição de nosso relatório, mas na perfeição de nosso Representante. Essa segurança não produz descuido. Produz gratidão, vigilância e uma vida que aprende a permanecer nEle.
Talvez sua consciência diga: "Você já pediu perdão por isso antes." O evangelho responde que há um Sumo Sacerdote vivo. Confissão verdadeira não é uma senha mecânica para continuar escolhendo o mal. É trazer a queda para a luz, receber misericórdia e aceitar o tratamento de Deus. O Cordeiro não apenas cobre a história. Ele começa a curá-la.
6 Que buscais
No dia seguinte, João estava com dois de seus discípulos. Jesus passou, e João repetiu: "Eis o Cordeiro de Deus." Os dois ouviram e começaram a seguir Jesus.
João demonstra a grandeza de um verdadeiro mensageiro. Ele não prende discípulos a si. Sua alegria está em perder o centro para que Cristo seja visto. Todo ministério saudável diz, de alguma maneira: "Não parem em mim. Olhem para Jesus."
Quando percebe os dois atrás dEle, Jesus Se volta e faz a primeira pergunta registrada de Seus lábios no Evangelho de João: "Que buscais?"
Ele poderia ter perguntado: "Quem são vocês?" Poderia ter dito: "Vocês conhecem as doutrinas?" Em vez disso, vai ao desejo. "O que vocês estão procurando?"
Essa pergunta atravessa séculos e chega até nós. O que você espera encontrar em Jesus? Uma solução rápida para um problema? Proteção contra sofrimento? Aprovação social dentro da igreja? Uma confirmação de ideias que já decidiu manter? Ou você deseja o próprio Cristo?
É possível seguir Jesus fisicamente e ainda procurar outra coisa. Multidões O seguiram por pão. Alguns líderes aproximaram-se para encontrar uma acusação. Judas caminhou perto de Jesus enquanto alimentava um reino diferente no coração. Proximidade religiosa não substitui desejo transformado.
Os discípulos respondem com outra pergunta: "Rabi, onde moras?" Em outras palavras: "Onde permaneces? Onde podemos ficar contigo?" Eles ainda compreendem pouco, mas desejam tempo. Não pedem um resumo de cinco minutos. Querem presença.
Cristo continua fazendo a mesma pergunta antes de entregar respostas prontas. "O que você realmente busca quando abre a Bíblia? O que busca quando canta? O que busca quando pede uma bênção?" Ele não faz a pergunta para humilhar. Faz para libertar nossos desejos das máscaras.
Talvez a oração mais honesta desta manhã seja: "Senhor, eu Te procurei por causa do que podias fazer. Ensina-me a querer Tua presença."
7 Vieram viram e permaneceram
Jesus responde: "Vinde e vede." Eles foram, viram onde morava e permaneceram com Ele aquele dia.
Observe a simplicidade. Jesus não oferece um espetáculo. Oferece convivência. A fé cristã possui verdades que podem ser explicadas, mas seu centro é uma Pessoa que deve ser conhecida. Doutrina sem comunhão vira informação. Emoção sem verdade perde direção. Em Jesus, verdade e presença permanecem juntas.
No vocabulário de João, permanecer se tornará uma palavra essencial. Em João 15, Jesus dirá: "Permanecei em Mim." O começo do discipulado já contém essa semente. Eles contemplam o Cordeiro, seguem Seus passos e ficam com Ele.
Há uma diferença entre visitar Jesus e permanecer com Jesus. A visita encaixa Cristo nos espaços que sobraram. Permanecer reorganiza a casa. A visita procura uma experiência ocasional. Permanecer constrói hábitos de escuta, oração, obediência e arrependimento.
Não permanecemos para merecer o amor. Permanecemos porque fomos recebidos. Um galho não se liga à videira para convencê-la a produzir vida. Liga-se porque a vida está na videira. Nossa parte é não escolher independência.
Como isso se torna concreto? Começa com tempo real diante da Palavra. Não apenas o verso rápido que confirma o que já pensamos, mas leitura que nos permite ouvir o texto inteiro. Continua em oração honesta, na qual não escondemos pecados nem usamos linguagem religiosa para evitar a verdade. Inclui obediência ao que já compreendemos. E inclui comunhão com a igreja, porque Cristo não forma discípulos solitários.
Ellen G. White, ao comentar João 1, mostra os primeiros discípulos recebendo convicção no contato pessoal com Jesus. Eles não tinham todas as respostas naquela tarde. Tinham encontrado Alguém digno de confiança. A compreensão cresceria enquanto caminhavam com Ele.
Alguns esperam entender tudo antes de começar. Jesus diz: "Venham e vejam." Há perguntas que se esclarecem no caminho da obediência. O convite não pede fé cega. Pede proximidade honesta. Venha à Palavra. Observe o caráter de Cristo. Caminhe com Ele. Permaneça tempo suficiente para que Sua presença confronte seus falsos deuses e cure sua imagem de Deus.
8 André encontrou primeiro o irmão
Depois de permanecer com Jesus, André procura Simão. O texto diz: "Ele achou primeiro o seu próprio irmão." Sua primeira reação missionária nasce da descoberta. "Achamos o Messias."
André não possui uma formação completa. Ainda não testemunhou os milagres da Galileia, não ouviu o Sermão do Monte e não compreende a cruz. Ele sabe o suficiente para fazer um convite verdadeiro: "Eu encontrei Jesus. Venha conhecê-Lo."
E então acontece uma das frases mais importantes do capítulo: "E o levou a Jesus."
André não leva Simão a uma discussão. Não tenta remodelar o irmão antes do encontro. Não promete que todas as dúvidas desaparecerão. Ele o conduz a Cristo.
Jesus olha para Simão e vê mais que o presente. Enxerga o pescador impulsivo e também o discípulo que a graça formará. Dá-lhe um novo nome: Cefas, Pedro. Simão ainda tropeçará, falará sem pensar e negará o Mestre. O novo nome não é elogio ao desempenho atual. É promessa do que Cristo pode construir.
Isso oferece esperança para quem acha que mudou pouco. Jesus vê com perfeita honestidade. Ele conhece a instabilidade de Simão, mas não limita Simão ao pior capítulo. A graça não chama o pecado de virtude. Também não chama o pecador de caso encerrado.
Há outro detalhe. André aparece poucas vezes nos Evangelhos, e frequentemente está levando alguém a Jesus. Ele leva Simão. Mais tarde participa da aproximação do menino com os pães e peixes. Em João 12, ajuda a conduzir gregos que desejavam ver Jesus. André não ocupa o centro, mas abre caminhos.
Talvez você nunca pregue para uma multidão. Talvez sua missão seja uma conversa à mesa, uma mensagem respeitosa, uma visita, uma oração oferecida na hora certa. O convite pessoal não é uma forma menor de missão. Pedro, que pregaria no Pentecostes, chegou a Jesus pela mão do irmão.
Pense agora em uma pessoa. Não em um público abstrato. Pense em um nome. Alguém de sua família, vizinhança, trabalho ou círculo de amizade que precisa de um encontro com Cristo. Você não pode converter essa pessoa. Não precisa pressioná-la. Pode ouvir, amar, orar e dizer com humildade: "Venha e veja."
A igreja cresce de maneira saudável quando o púlpito e a amizade trabalham juntos. A pregação apresenta o Cordeiro. A vida da comunidade confirma que Sua graça produz amor. O membro abre uma ponte para que alguém se aproxime.
9 Um povo que segue o Cordeiro
A Bíblia começa perguntando onde está o cordeiro. João responde: "Eis o Cordeiro." Apocalipse mostra o resultado final: uma multidão diante do trono, lavada no sangue do Cordeiro, e um povo que segue o Cordeiro por onde quer que vá.
Seguir o Cordeiro significa aceitar a maneira de Jesus viver e vencer. O mundo admira domínio. O Cordeiro serve. O mundo protege a imagem. O Cordeiro entrega a vida. O mundo responde à oposição com coerção. O Cordeiro vence pela verdade e pelo amor.
Apocalipse 14 descreve uma geração cuja lealdade pertence a Deus. Esse povo anuncia o evangelho eterno, chama o mundo a adorar o Criador e permanece fiel no conflito final. Mas antes de suas características, existe sua localização: está com o Cordeiro. A identidade profética nunca deve ser separada da presença de Cristo.
Não fomos chamados apenas para explicar as bestas. Fomos chamados para seguir o Cordeiro. Não fomos chamados apenas para identificar Babilônia. Fomos chamados para refletir o caráter de Jesus. Não fomos chamados apenas para anunciar que a hora do juízo chegou. Fomos chamados para proclamar que o Juiz providenciou salvação em Cristo e ainda convida cada pessoa a receber Sua graça.
OneVoice27 existe para que muitas vozes anunciem uma única esperança. Essa unidade não nasce de personalidade, cultura ou preferência. Nasce quando a igreja olha na mesma direção. João aponta. Os discípulos seguem. André convida. Simão é transformado. O Cordeiro permanece no centro.
Uma igreja pode ter som, agenda e atividade e ainda perder o centro. A pergunta para cada ministério é simples: as pessoas estão vendo Jesus? Nossos sermões levam ao Cordeiro? Nossa música torna Sua beleza mais clara? Nossas ações sociais revelam Sua compaixão? Nossos estudos bíblicos conduzem pessoas à confiança nEle? Nossa profecia produz fidelidade, esperança e missão?
Quando o Cordeiro ocupa o centro, a igreja não esconde a verdade e não usa a verdade como arma. Ela anuncia com clareza e lágrimas. Ela chama ao arrependimento porque conhece o preço do pecado. Ela oferece esperança porque conhece o poder do sangue de Cristo.
Apelo Olhe permaneça e leve alguém
João 1 apresenta três movimentos que podem tornar-se nossa resposta hoje.
Primeiro, olhe para o Cordeiro.
Talvez você esteja olhando há muito tempo para a própria culpa. Ou para o histórico de alguém que o feriu. Talvez esteja tentando pagar uma dívida interior por meio de perfeccionismo, serviço ou sofrimento. Hoje Deus não pede que você negue o que aconteceu. Pede que coloque seu pecado diante de um Salvador maior.
O sangue de Cristo não torna o pecado pequeno. Mostra que o amor de Deus foi até o fundo para resgatá-lo. Confesse sem desculpas. Receba sem barganha. A promessa de 1 João é objetiva: se confessamos nossos pecados, Ele é fiel e justo para perdoar e purificar.
Segundo, permaneça com Jesus.
Talvez sua fé tenha se tornado uma visita semanal. Você conhece o ambiente da igreja, mas seu coração perdeu a conversa com Cristo. Ele ainda pergunta: "O que você busca?" E ainda convida: "Venha e veja."
Escolha um recomeço concreto. Separe tempo diário com a Palavra e a oração. Remova uma distração que vem ocupando o lugar da comunhão. Procure ajuda para a luta que você manteve secreta. Permanecer não é sentir algo extraordinário todos os dias. É voltar a Cristo todos os dias.
Terceiro, leve alguém a Jesus.
Quem é o seu Simão? Qual nome o Espírito trouxe à sua mente? Ore por essa pessoa. Escute sua história. Faça um convite simples para o próximo sermão, um estudo bíblico, um pequeno grupo ou uma conversa sobre Jesus. Não tente ser o Cordeiro para ela. Apenas a leve ao Cordeiro.
Hoje, se você deseja receber o perdão de Cristo, renovar sua comunhão com Ele ou dar o primeiro passo público em direção ao batismo, eu o convido a responder em oração.
Se você carrega uma culpa específica, apresente-a agora ao Senhor em silêncio.
Pausa para oração silenciosa[Pausa]
Se sua comunhão esfriou, diga: "Jesus, eu quero permanecer contigo."
Pausa para oração silenciosa[Pausa]
Se Deus colocou alguém em seu coração, pronuncie esse nome em silêncio e ofereça-se para ser uma ponte.
Pausa para oração silenciosa[Pausa]
João não disse: "Eis sua força." Não disse: "Eis seu desempenho." Disse: "Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo."
Olhe para Ele. Permaneça com Ele. Leve alguém até Ele.
Oração final
Pai, nós Te agradecemos porque não nos deixaste sozinhos com nossa culpa. Tu proveste o Cordeiro. Senhor Jesus, recebe nossa confissão e aplica em nós os benefícios de Tua vida, morte e ressurreição. Limpa nossa consciência. Rompe o domínio do pecado. Ensina-nos a permanecer em Ti quando a emoção passar e a rotina chegar. Coloca em nosso coração uma pessoa a quem possamos amar, ouvir e conduzir à Tua presença. Espírito Santo, faz desta igreja um povo que segue o Cordeiro e anuncia com verdade e compaixão o evangelho eterno. Em nome de Jesus. Amém.
Referências para aprofundamento
- Bíblia Sagrada João 1:19-51; Gênesis 22:1-14; Êxodo 12:1-28; Levítico 16; Isaías 52:13-53:12; Hebreus 9-10; 1 Pedro 1:18-21; Apocalipse 5; 7:9-17; 12-14.
- Ellen G White O Desejado de Todas as Nações capítulo 14 Achamos o Messias.
- Ellen G White Obreiros Evangélicos página 315 sobre a cruz como centro das verdades bíblicas.
- Igreja Adventista do Sétimo Dia Crenças Fundamentais 9 A Vida Morte e Ressurreição de Cristo 10 A Experiência da Salvação 13 O Remanescente e Sua Missão e 24 O Ministério de Cristo no Santuário Celestial.
